19.10.2026

Moçambique exportou 6.400 toneladas de gergelim para a União Europeia e o Japão nos últimos seis meses, sem registar qualquer rejeição nestes dois mercados. O resultado, anunciado pelo Governo a 18 de Outubro de 2026, representa um marco para as exportações agrícolas nacionais, depois de vários anos em que foram identificados problemas de conformidade em lotes destinados a estes destinos.

Segundo uma nota do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), os carregamentos foram distribuídos por dois dos mercados internacionais mais exigentes em matéria de segurança alimentar e qualidade dos produtos agrícolas. O desempenho reforça a importância do controlo da qualidade e da rastreabilidade para a competitividade do gergelim moçambicano.

Japão recebeu 5.000 toneladas de gergelim moçambicano

Dos volumes exportados, o Japão recebeu a maior quantidade, com 5.000 toneladas distribuídas por 31 lotes. A União Europeia importou 1.400 toneladas, correspondentes a 33 lotes.

No total, foram enviados 64 lotes para os dois destinos sem registo de rejeições, de acordo com os dados divulgados pelo ministério. O resultado destaca a importância de cumprir os requisitos exigidos pelos compradores internacionais, sobretudo em mercados onde a segurança alimentar é um factor determinante para a entrada dos produtos.

Além destes carregamentos, Moçambique exportou 48.915 toneladas de gergelim no período referido pelo Governo, sem registo de devoluções, segundo a mesma nota. Este volume demonstra a relevância da cultura para a actividade exportadora nacional, embora os dados divulgados não indiquem o valor financeiro total das vendas.

Controlo da qualidade ajuda a evitar rejeições

O Governo atribui o resultado a melhorias nos mecanismos de controlo da qualidade e de rastreabilidade das exportações. Entre as medidas destacadas está a certificação digital obrigatória antes do embarque, implementada através do Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM).

O acompanhamento das operações através da Janela Única Electrónica (JUE) também integra os mecanismos referidos pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas. Estas ferramentas procuram melhorar a verificação dos produtos e dos documentos associados às operações de exportação.

A rastreabilidade permite acompanhar a origem e o percurso dos lotes comercializados. Quando combinada com boas práticas de produção, armazenamento e transporte, pode ajudar a identificar problemas e reduzir o risco de que mercadorias fora das especificações cheguem aos mercados de destino.

Moçambique melhora o desempenho após rejeições anteriores

O resultado assume particular relevância porque, nos três anos anteriores, foram registadas 14 rejeições de lotes de gergelim moçambicano nos mercados da União Europeia e do Japão, segundo os dados apresentados pelo Governo.

A ausência de rejeições nos últimos seis meses representa, assim, uma melhoria em relação aos problemas anteriormente identificados. Para manter este desempenho, será importante assegurar que os procedimentos de controlo continuem a ser aplicados ao longo de toda a cadeia de produção e comercialização.

A qualidade do produto exportado não depende apenas da certificação final. As condições de colheita, secagem, limpeza e armazenamento também podem influenciar a segurança e a aceitação do gergelim pelos compradores internacionais.

Contaminação continua a preocupar os mercados internacionais

Apesar do resultado alcançado por Moçambique, os dados citados pelo ministério mostram que a segurança alimentar continua a constituir um desafio no comércio internacional de gergelim.

Entre Janeiro e Setembro de 2026, a União Europeia registou 56 rejeições de gergelim importado, enquanto o Japão contabilizou nove. Segundo a nota ministerial, os casos estiveram associados a problemas como a presença de salmonela, resíduos de pesticidas e aflatoxinas.

No mesmo período, a Nigéria registou 31 rejeições, a Índia 12, o Sudão 11 e a Tanzânia cinco, de acordo com os dados do Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais da União Europeia (RASFF) e do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão citados no documento.

Estes números mostram que a conformidade sanitária é decisiva para os países que pretendem manter o acesso aos mercados internacionais. A contaminação pode comprometer carregamentos, aumentar os custos dos exportadores e prejudicar a confiança dos compradores.

O que este resultado significa para os produtores moçambicanos?

Para os produtores, comerciantes e empresas exportadoras, a ausência de rejeições pode contribuir para reforçar a confiança no gergelim de origem moçambicana. A manutenção dessa confiança depende, contudo, da continuidade das boas práticas agrícolas e do cumprimento dos requisitos exigidos em cada mercado.

A melhoria da qualidade também pode ajudar a proteger as oportunidades comerciais da cadeia de oleaginosas. Para transformar esse avanço numa vantagem duradoura, será importante investir na formação dos produtores, na prevenção da contaminação, na conservação adequada das sementes e na organização da cadeia de fornecimento.

O resultado anunciado pelo Governo representa um sinal positivo para o agronegócio nacional. O desafio agora é manter os padrões alcançados e assegurar que o gergelim moçambicano continue a chegar aos mercados internacionais com qualidade, segurança e rastreabilidade.

Fonte: IAOM